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“São produzidos, na cidade, cerca de seis milhões de litros de vinho verde. Se lhe atribuirmos um preço médio, entre 0,50 e 0,70 cêntimos, já é possível ver os milhões de euros que representa, a criação de riqueza e os postos de trabalho que mantém aqui no concelho”, sublinhou o presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, Manuel Pinheiro, durante a intervenção em mais uma sessão de “Conversas à mesa”, no âmbito da iniciativa “Amarante à mesa”, promovida pela Associação Empresarial local.
À mesa, no Restaurante Zé da Calçada, juntamente com Manuel Pinheiro, sentaram-se o presidente da Associação Empresarial de Amarante (AEA), Luís Miguel Ribeiro, o presidente da Proviverde, Castelo Branco, e o enólogo e membro da Confraria de Vinho Verde, Ricardo Torres. A moderação esteve a cargo de Delfim Carvalho, do Amarante TV.
“Entendemos que o vinho verde deve ser promovido com a gastronomia e que fazia sentido tratar este assunto nestas conversas à mesa”, explicou Luís Miguel Ribeiro, quando questionado sobre a escolha do tema.
“Desafio para Amarante”
Durante a sua intervenção, Manuel Pinheiro abordou a importância do concelho valorizar a produção do vinho verde. “Amarante produz grandes massas vínicas, tem belíssimas uvas mas não consegue transformá-las em marcas de Amarante. Isto é um desafio para a cidade, o de valorizar a produção, mais até do que aumentar essa produção”, frisou.
Amarante sempre foi, em termos históricos, uma referência de vanguarda na produção de vinho verde. Como sublinhou o presidente da Proviverde, Castelo Branco, “é o concelho produtor de vinho mais importante da região e a sua sub-região é a que se apresenta com uma maior qualidade”.
“São vinhos únicos. Não há mais nenhuma região no mundo que produza vinhos verdes com esta qualidade”, defendeu o enólogo Ricardo Torres que expressou, igualmente, a necessidade de exportar o vinho para que possa ser “reconhecido e apreciado”. Uma ideia partilhada pelo presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, que destacou a capacidade do vinho verde em internacionalizar-se e tornar-se rentável. “Não devemos prescindir da região e do mercado nacional, mas temos o dever de começar a vender o verde tinto para o exterior. O concelho produz dois milhões de litros por ano e, portanto, precisa de exportar para crescer”, referiu Manuel Pinheiro.
“Criar escala e riqueza”
Ainda no âmbito de internacionalizar o vinho verde, o presidente da AEA relembrou a necessidade de agrupar os vários microprodutores existentes no concelho para que, assim, se ganhe dimensão e se chegue a outros mercados. “Dos produtos do sector primário este é talvez aquele que mais tem crescido. Se tivermos capacidade de criar escala, com a qualidade e a produção que temos, certamente, iremos conseguir aqui um produto que, em termos económicos, terá mais valor para a região”, mencionou Luís Miguel Ribeiro.
Sobre esta capacidade de produção de Amarante, o presidente da Proviverde, Castelo Branco, deixou uma garantia: “Temos uma área vitícola capaz de manter o papel da nossa sub-região como uma das de maior relevo na área de viticultura da região de vinhos verdes”.
Ciente do potencial do vinho produzido no concelho, Manuel Pinheiro lançou também um desafio: “É fundamental que se ligue o Turismo à Restauração. Com o “Amarante à mesa” faz todo o sentido falar-se deste assunto. É importante que a restauração do concelho valorize o vinho que cá se produz. Devemos dar a provar o nosso vinho aos turistas, pois não faz sentido que estejam em Amarante e que lhes sejam dados a provar vinhos de outras regiões”.
Para que este desafio seja abraçado, Ricardo Torres aclara ser importante formar as pessoas para que conheçam os vinhos e os possam aconselhar. O enólogo e também membro da Confraria do Vinho Verde não deixou de referir que o papel desta Associação se tem pautado pela defesa da qualidade do vinho verde como um produto de excelência, para que a sua venda possa ser dinamizada.
Fins-de-semana com animação
Cumprindo um dos objectivos da iniciativa “Amarante à mesa”, a AEA promoveu também alguma animação nos restaurantes, durante o fim-de-semana. No restaurante “A Quelha”, o serão de sábado foi preenchido com uma noite de fados e o “Restaurante Pereira” contou com uma actuação de música ao vivo.
Com o evento a decorrer até ao próximo dia 20 deste mês, a Associação Empresarial continua a dinamizar a cidade. Para hoje, por exemplo, está agendado um workshop de Doces, nos Claustros do Convento de S. Gonçalo, pelas 9h30, com a intervenção de alguns pasteleiros de Confeitarias conceituadas da cidade, e para o qual foram convidadas a assistir algumas escolas do concelho.
Mais logo, está reservada uma noite de Fados, às 21h00, no “Restaurante Espelho Meu” e música ao vivo no “Restaurante Quinta da Carrasqueira”, também pelas 21h00.
Para amanhã, está agendada uma noite de cantares ao desafio na Adega Regional de Amarante, marcada para as 21h00 e música ao vivo no “Restaurante Amaranto”, às 21h00.
Para domingo, está marcado um Passeio TT “Amarante à mesa”, com concentração marcada no Parque do Ribeirinho, pelas 8h15, e que irá percorrer algumas freguesias do concelho. O almoço desta aventura todo-o-terreno terá lugar no “Restaurante Mateus”, às 15h30.
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