|

Com um mercado em expansão, a Rússia tem-se afigurado como uma “óptima aposta” para as empresas portuguesas se lançarem na exportação e internacionalização. Quem o garante é a gestora de projectos da empresa RusComerz, Olga Garcia que, no passado dia 10 de Novembro, no âmbito da Conferência “Exportar e Internacionalizar”, organizada pela Associação Empresarial de Amarante (AEA), caracterizou o mercado Russo e abordou pontos de interesse para os empresários amarantinos presentes neste colóquio.
Além de Olga Garcia, o gerente da empresa WideCoverage, João Silva, abordou também mais dois exemplos de mercados emergentes. No caso, a Índia e o Canadá.
Mercado emergente russo
Desde a viragem do século XXI, uma maior estabilidade política e um maior consumo interno têm impulsionado o crescimento económico na Rússia. Com uma densidade populacional de 141.927.297 habitantes, este país apresenta “um enorme potencial” e tem como “maior parceiro comercial a União Europeia”, representando “cerca de 50 por cento do comércio externo” do país. Como explicou Olga Garcia, a Rússia “tem uma boa imagem do ‘made in Europe’, mas a respeito de Portugal, avança, “existe ainda pouca informação sobre os fornecedores lusos”.
O primeiro lugar do conjunto de importações russas é ocupado pela China, com 18 por cento; em segundo lugar surge a Alemanha, com 11 por cento e em terceiro a Ucrânia, com seis por cento. Portugal surge na 56ª posição, totalizando 0,16 por cento do volume de importações.
Do material importado, a maior percentagem vai para o ferro e o aço, com 41 por cento, seguido de máquinas e aparelhos, com 29 por cento e dos veículos automóveis num total de 10 por cento. Em menor percentagem, surgem os produtos farmacêuticos, os instrumentos de óptica e os plásticos.
Relativamente a Portugal, da lista dos principais produtos exportados para a Rússia constam a cortiça, o calçado, produtos agrícolas, caixas e moldes, mas também quadros e painéis eléctricos.
De acordo com a gestora Olga Garcia, as tendências do mercado russo ditam-se pela “produção local insuficiente e por uma grande apetência pelo importado”, o que justifica a alta taxa de bens importados no consumo interno (cerca de 50 por cento).
Assim sendo, num país como a Rússia com uma tendência crescente para a importação, os empresários portugueses encontram um vasto conjunto de oportunidades de negócio, onde constam as máquinas e componentes industriais, os materiais de construção, produtos farmacêuticos e alimentares, têxteis e calçado, mobiliário, telecomunicações e tecnologias de informação e o ramo energético.
Mas, como de resto acontece no mundo dos negócios, o reverso da medalha acarreta algumas dificuldades. Olga Garcia enumerou algumas: “Língua e comunicação, os elevados custos na abordagem ao mercado, crescente concorrência internacional, dificuldades de compreensão do funcionamento das entidades públicas, ou mesmo o desalfandegamento de mercadorias”. Sobre este último ponto, e uma vez que a Rússia não integra a União Europeia, existem alguns “procedimentos fundamentais” para quem tenciona interagir com este mercado, como é o caso do apoio com a documentação, a necessidade de alguns produtos serem sujeitos à certificação, ou mesmo o certificado de conformidade e os certificados específicos (certificado veterinário, fitossanitário, entre outros). Poderão ser obtidos através das autoridades e laboratórios russos, ou pelas empresas europeias autorizadas, como é o caso da SGS. Ainda assim, “é aconselhável ter um parceiro russo” para o acompanhamento dos negócios.
No final da sua intervenção, Olga Garcia deixou algumas indicações para os empresários amarantinos que marcaram presença nesta Conferência. “É importante que se obtenha informação de mercado sobre o sector em causa; que se aposte na qualidade e design dos produtos; se participe em feiras e missões comerciais de forma a dar visibilidade à oferta, se procurem parcerias locais de qualidade e depois de faça visitas aos parceiros na Rússia. Da mesma forma, é importante convidar os decisores a visitar Portugal, mas também clarificar todos os termos dos contratos, preparar bem a logística e o transporte e, finalmente, desenvolver o relacionamento com os parceiros”, enumerou.

A Índia como novo objectivo comercial
Depois de apresentado o mercado russo, foi a vez de conhecer o mercado indiano, uma tarefa a cargo do gerente da empresa WideCoverage, João Silva.
Com uma população de 1.200 milhões de habitantes, a Índia é o segundo país mais populoso do mundo. Nos últimos cinquenta anos, o país tem vivido um rápido aumento na sua população urbana devido, em grande parte, aos avanços médicos e aos aumentos massivos da produtividade agrícola pela "revolução verde". A população urbana da Índia aumentou onze vezes durante o século XX e tem vindo a concentrar-se, cada vez mais, nas grandes cidades. O país é a décima segunda maior economia do mundo em taxas de câmbio e a quarta maior economia em poder de compra. As reformas económicas feitas desde 1991 transformaram o país numa das economias com um crescimento mais rápido do mundo. No entanto, a Índia ainda sofre com altos níveis de pobreza, analfabetismo e desnutrição. É caracterizada como sendo uma sociedade pluralista, multilingue e multiétnica.
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) rondou, em 2011, “8,5 por cento” e prevê-se que, em 2012, “atinja os 9 por cento”. Estima-se que a média de crescimento, para os próximos 20 anos, “seja de 9 por cento”, sendo considerada “a maior das grandes economias”.
Seguindo este ciclo de crescimento, em 2020, “poderá ter cinco vezes mais o tamanho actual”.
Como esclareceu João Silva, “as importações anuais” neste país atingem os 350 milhões de USD”. As oportunidades de negócio surgem em vários sectores, com destaque para “as obras públicas, renovação industrial, indústrias farmacêutica e tecnológica, restauração e retalho”.
A aposta neste mercado engloba, naturalmente, alguns pontos mais difíceis. João Silva destacou a “burocracia elevada, as infra-estruturas elevadas e algumas especificidades locais”.
Canadá, um mundo por explorar…
Pela sua estabilidade económica e financeira, o Canadá tem vindo a afirmar-se como um estado apetecível para muitos empresários. Dos países membros do G7, foi o que registou “um maior crescimento, em 2011”. Foi classificado pela The World Trade Magazine como o terceiro melhor país em termos de oportunidades de investimento e comércio. Como salientou João Silva, “o regime fiscal canadiano é favorável, o que constitui-se um atractivo para novos investimentos e negócios”.
Sendo um país membro do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), tem acesso a “442 milhões de consumidores”. Tem ainda uma “vasta infra-estrutura de qualidade superior”.
Do conjunto de características do Canadá marcadamente favoráveis constam “o forte consumo privado, a renovação industrial, ser considerado como uma plataforma para os Estados Unidos e ter um mercado desenvolvido com um vasto tecido empresarial”.
“Apoio à Internacionalização”
A abertura da Conferência esteve a cargo do presidente da AEA, Luís Miguel Ribeiro, que agradeceu a presença de todos os empresários e explicou a importância deste tipo de esclarecimentos para as empresas que querem avançar com o processo de Internacionalização. “A realização deste colóquio enquadra-se numa estratégia que a Associação Empresarial está a levar a cabo, no sentido de apoiar as pequenas e médias empresas associadas no processo de Internacionalização que, como se sabe, é fundamental para o progresso e consolidação de qualquer empresa, nos dias que correm”, salientou.
|